quinta-feira, 6 de maio de 2010

Já é o fim

Tudo bem, ninguém sabia que havia começado!

Atirou um beijo ao vento. Onde ele parar alguém será contemplado com uma dose de doçura. Na verdade, não precisamos saber de onde vem, importa o suave fato de termos alguém nos oferecendo algo bom.
Deixou as coisas ficarem assim, sem destino. Mas não tinha mais o olhar perdido, há algum tempo carregava um antídoto chamado tranquilidade. Os ortodoxos chamariam de 'consciência tranquila'. Repousou pensando 'a minha parte eu fiz'.
Antes estaria sem fé, mas entregaria nas mãos de Deus. A ausência de fé, nem que seja no nada, na teoria da evolução ou em qualquer entidade desconhecida faz a vida mais vazia do que ela costuma ser. Passamos a vida estudando, trabalhando, nos qualificando, nos preocupando, economizando... E não levamos nada! Ou levamos? Quem pode saber? Em alguns momentos pensar sobre a vida é mais cansativo que vivê-la.
Seus olhos ardiam, mas não carregavam lágrimas. Era puro cansaço. Cansaço de fazer demais, e cada vez mais por uma pessoa que a valorizava cada vez menos. Até no mais profundo estado de irritação, nunca teve a grosseria de dizer um não, ou foi capaz de deixar de fazer algo que sempre fez, mesmo sem um pedido.
Por um instante, não sentiu medo de dobrar a esquina. Só tinha um destino certo 'Te dedicarei uma prece todas as noites, torcerei até o fim por você, serei (quem sabe) um ajudadente secreto. Mas não sei mais se quero ir pelo mesmo caminho'.
Fechou o caderno, guardou para si tantas folhas. As primeiras eram mais otimistas. Mas quando lembrou que agora tinha sua vida para viver, não sentiu-se mais sem planos.

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