Já era a sexta vez que arrumava aqueles fios de cabelo atrás da orelha. Impaciente, tudo irritava.
Era só mais uma decepção. Repentina, rápida. Se arrependia por não se apaixonar por pessoas mais simples. Mais uma vez escolheu o caminho mais difícil.
Não sabia fazer promessas para si, então isso ou aquilo era sempre por aqueles. Quem não se ama pode ser amado? Sempre culpava as promessas que dexara de cumprir, a culpa era sempre sua.
Os olhos ardiam, mas o sono podia esperar enquanto ela esperava. Por ninguém... Coração vazio novamente, lamentava. Para alguns, alguma forma de amor é motivação.
Cabeça baixa, desânimo e um olhar perdido. Rabiscou algo como "achava que você era igual a mim, mas se parece mais com tudo mundo que... "
Concluir seria doloroso. Amassou o rascunho. Abriu a folha de novo e a dobrou em formato de coração. Jogou no lixo.
- Acho que errei novamente.
Alguém lhe esticou a mão.
- Há uma diferença entre errar e acertar sem ninguém para aplaudir.
Quando os olhos marejam, tudo que se diga é inútil.
- Eu teimei em fazer tudo certo!
Ganhou um afago, nada mais.
- Eu e minha mania de fazer tudo certo.
Terminaram a refeição em silêncio.
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