terça-feira, 27 de julho de 2010

Não sou a lua...

Você olha para o brilho. Brinca de achar traços.
Às vezes disfarça a distração com gozações, mas uma hora elas podem machucar.
Se olhasse melhor, veria que meus olhos não se perdem. Pelo contrário. São firmes e fixos o tempo todo. Se eu abaixo a cabeça é para disfarçar.
Se prestasse mais atenção, faria menos perguntas.
Se me conhecesse melhor, não faria como faz...
Você é capaz de lembrar de todas as suas promessas, menos das mais simples.
Parece fazer tanto esforço para buscar o que é mais difícil na memória.
Busca nos livros os nomes das estrelas, mas esquece de olhar a maior delas. Espera sempre pela noite para observar a lua...
Mas eu não sou a lua!
Vivo como alguém que passa despercebido, mas que oferece o calor que você tanto preza! Aquilo que você tanto espera depois que o vento da noite castiga seu rosto.
Um sopro leve de conforto... Aquilo que você lembra quando precisa lembrar. Mesmo estando lá o tempo todo, se você me observar... Parece que isso machuca seus olhos! Porém você precisa, porque sabe que quando a lua sumir, eu sempre chegarei.
Quando deseja fugir do cinza... Mesmo que goste de olhar a lua, não suportaria tanta escuridão!
E mesmo assim, você nunca deixa de buscar o par de óculos escuros na hora de sair...

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